Guia · LGPD na saúde

LGPD para Clínicas e Consultórios: Guia Completo (2026)

Clínica e consultório tratam o tipo de dado mais protegido pela lei: o dado de saúde. Veja, sem juridiquês, o que a LGPD exige do seu consultório e como se adequar sem virar advogado.

Seja uma clínica médica, odontológica, de estética, um consultório de fisioterapia, psicologia ou nutrição — se você atende pacientes, coleta dado de saúde. E dado de saúde é dado sensível (Art. 11 da LGPD), com regras mais rígidas. Não é exagero: é a categoria que a ANPD trata como prioridade quando há reclamação.

Por que clínicas são alvo prioritário

A LGPD divide os dados em duas categorias. Os comuns (nome, telefone, e-mail) e os sensíveis, que incluem saúde, e exigem base legal específica e mais cuidado. Um consultório lida com sensíveis o tempo todo — do agendamento ao prontuário.

O que conta como dado sensível na clínica

Onde apareceExemplo de dado
Prontuário / ficha de atendimentoDiagnóstico, histórico, evolução
Exames e laudosResultados, imagens (RX, ultrassom)
Fotos de procedimentoAntes/depois, lesões, região tratada
Anamnese / questionárioAlergias, medicamentos, condições
Convênio e cobrançaPlano, CPF, procedimentos realizados

As 4 obrigações que toda clínica precisa cumprir

  1. Mapa de dados (ROPA). Liste o que coleta, de onde vem, pra que serve e por quanto tempo guarda — é o que o Art. 37 exige.
  2. Base legal certa para cada uso. O atendimento se apoia em tutela da saúde; o marketing, em consentimento; a nota fiscal, em obrigação legal.
  3. Consentimento com prova onde ele é necessário (marketing, uso de imagem): registrado com data, hora e finalidade.
  4. Canal para o paciente exercer direitos (acesso, correção, exclusão) e resposta em até 15 dias.

Erro comum: pedir "consentimento pra tudo". O tratamento clínico não depende do "sim" do paciente — ele se apoia na tutela da saúde (Art. 11, II, "a"). Guarde o consentimento para o que é opcional: enviar promoção, usar foto em rede social, lembrete de marketing.

Consentimento na clínica: quando e como

Quando o consentimento é a base certa, ele precisa ser livre, informado, específico e inequívoco — e, acima de tudo, comprovável (Art. 8º §2º: o ônus da prova é seu). Um "pode mandar no WhatsApp?" dito no balcão não vira prova. Registrar o aceite com data, hora e o texto exato — por exemplo, um clique num link enviado por WhatsApp — inverte o ônus a seu favor.

Direitos do paciente e o prazo de 15 dias

O paciente pode pedir para ver, corrigir, portar ou excluir os dados dele — e você tem 15 dias para responder. Atenção: exclusão não anula a obrigação de guardar o prontuário pelo prazo do conselho profissional; você atende o pedido explicando a base legal que obriga a conservação.

Quanto custa não cumprir

2%
do faturamento, limitado a R$ 50 mi por infração
15 dias
prazo para responder o paciente

Com dado sensível, o vazamento pesa mais: além da multa, há dano de imagem e risco de ação do próprio paciente. Para uma clínica, a confiança é o ativo principal.

Por onde começar

Comece pelo mapa de dados — é a base de tudo. Depois, ajuste onde você pede consentimento (marketing, imagem) e monte um canal para pedidos dos pacientes. Dá para fazer numa planilha, mas o consentimento com prova e o controle de prazos viram um problema rápido. Uma ferramenta de conformidade cuida do consentimento com evidência, do mapa de dados e do portal do titular num lugar só.

Perguntas frequentes

Consultório pequeno também precisa se adequar?

Sim. Não há isenção por porte. Como você trata dado de saúde, o cuidado exigido é até maior que o de um comércio comum.

Posso mandar lembrete de consulta por WhatsApp?

Pode — o lembrete do próprio atendimento costuma se apoiar em legítimo interesse/execução do serviço. Já a promoção e o marketing precisam de consentimento específico e registrado.

Preciso de um DPO (encarregado)?

Você precisa indicar um encarregado (pode ser o próprio responsável pela clínica) e divulgar um canal de contato. Não exige contratar ninguém de fora.

Adeque sua clínica ou consultório à LGPD

Consentimento com prova, mapa de dados e portal do paciente num só lugar — pensado para clínicas e consultórios, em linguagem de quem atende, não de advogado.

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